Ações Tributárias

O sistema tributário brasileiro é complexo, e muitos contribuintes — pessoas físicas e jurídicas — acabam pagando tributos indevidos, sendo cobrados ilegalmente ou enfrentando exigências abusivas por parte da União, Estados e Municípios, por isso, enteda as ações tributárias contra os entes federados.

Quando isso ocorre, é possível recorrer ao Poder Judiciário por meio de ações tributárias que visam resguardar direitos, recuperar valores pagos indevidamente e impedir cobranças ilegais.

Afinal, quais são as principais ações tributárias possíveis em face dos entes federados? E quando vale a pena ingressar com cada uma delas?

Acompanhe este conteúdo e entenda de forma prática e estratégica.

 

🏛️ 1. Por que existem ações tributárias contra União, Estados e Municípios?

Os entes federados possuem autonomia tributária e competência própria para instituir impostos, taxas e contribuições. Porém, essa autonomia muitas vezes leva para:

  • Exigências abusivas
  • Cobranças em desacordo com a lei
  • Interpretações equivocadas
  • Falta de observância da Constituição
  • Tributação excessiva ou cumulativa
  • Ilegalidades administrativas e fiscais por parte do Poder Público

Nesses casos, as ações tributárias são instrumentos de controle judicial, garantindo que o contribuinte não seja lesado e mantendo a legalidade do sistema tributário.

 

⚖️ 2. Quais são as principais ações tributárias utilizadas pelos contribuintes?

A seguir, um panorama das ações mais relevantes para proteger direitos contra a cobrança indevida de tributos.

✅ 2.1 Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico-Tributária

Usada para declarar que não há obrigação de pagar determinado tributo.

Exemplo:
Uma empresa que é cobrada por ISS sobre atividade que não se enquadra como serviço tributável.

Ideal quando:

  • O tributo é manifestamente inconstitucional
  • A cobrança é indevida desde a origem
  • Há risco de autuação ou inscrição em dívida ativa

✅ 2.2 Mandado de Segurança

O mandado de segurança é uma das ações mais rápidas e eficazes no Direito Tributário.

Usado para:

  • Suspender cobrança indevida
  • Garantir direito líquido e certo violado pelo Fisco
  • Impedir inscrição em dívida ativa
  • Liberar certidões negativas (CND e CPEND)

Muito utilizado quando há urgência, como em: Notificação Tributária e Aumento repentino de alíquotas.

✅ 2.3 Ação Anulatória de Débito Fiscal

Serve para anular lançamentos tributários considerados ilegais, abusivos ou excessivos.

Exemplos comuns:

  • Multas confiscatórias
  • Exigências baseadas em interpretação equivocada
  • Erro de cálculo do Fisco

O contribuinte pode pedir:

  1. Suspensão da exigibilidade do crédito
  2. Revisão de valores
  3. Desconstituição total ou parcial da cobrança

✅ 2.4 Ação de Repetição de Indébito

Usada para reaver tributos pagos indevidamente, com devolução em dobro em casos de má-fé, conforme o Código Civil.

Situações comuns:

  • ICMS cobrado sobre TUST/TUSD
  • IPTU calculado incorretamente
  • PIS/COFINS recolhido a maior
  • ISS duplicado ou recolhido indevidamente

Prazo:
5 anos para pedir restituição – prescrição quinquenal.

 

🏛️ 3. O que pode ser questionado judicialmente?

Os entes federados frequentemente cometem ilegalidades tributárias que podem ser levadas ao Judiciário. Entre elas:

  • Cobrança de tributos inconstitucionais
  • Aumentos sem lei específica
  • Multas com efeito confiscatório
  • Base de cálculo indevida
  • Dobramento de tributos (bitributação ou bis in idem)
  • Violação ao princípio da legalidade
  • Falta de notificação do contribuinte

 

🧮 4. Ações tributárias: impactos diretos para empresas e cidadãos

Para empresas

  • Redução da carga tributária
  • Prevenção de autuações indevidas
  • Garantia de regularidade fiscal
  • Recuperação de créditos e fluxos financeiros
  • Maior segurança jurídica para investimentos

Para cidadãos

  • Proteção contra cobranças abusivas (ex.: IPTU, ITCD, IPVA)
  • Regularização de débitos indevidos
  • Acesso a certidões e serviços
  • Restituição de valores pagos indevidamente

 

📌 5. Como saber qual ação é a mais adequada?

A escolha depende de:

  • Existência de débito constituído
  • Urgência na obtenção de medida liminar
  • Tipo de tributo em discussão
  • Tipo de ilegalidade praticada pelo Fisco
  • Interesse em recuperar ou compensar valores

Cada caso exige uma análise aprofundada, com exame de documentos fiscais, legislação e riscos processuais.

🏁 Conclusão: O contribuinte não está desamparado — ações tributárias são ferramentas essenciais de defesa

Os entes federados possuem poder de tributar, mas esse poder encontra limites na Constituição e na legislação.

As ações tributárias são instrumentos fundamentais para equilibrar essa relação, garantindo que o cidadão e as empresas paguem apenas o que é devido, nem mais, nem menos.

Se você enfrenta cobranças indevidas, deseja reaver valores pagos incorretamente ou precisa proteger sua empresa de autuações abusivas, buscar orientação jurídica especializada é o primeiro passo.